
A direção do Sindicato se reuniu na tarde desta segunda-feira (07 de julho) com a desembargadora corregedora do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região, Sueli Tomé da Ponte. Representando o Sintrajud, participaram os dirigentes Camila Oliveira e Marcos Trombeta, e o diretor de base Henrique Sales Costa. Pela Corregedoria Regional, estiveram presentes também os juízes-auxiliares Beatriz Jiacominni, Fábio Rocha e Farley Roberto Ferreira.
Foram levados à reunião apreensões da categoria quanto à decisão do Grupo de Trabalho instituído pelo Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT) para propor uma nova regulamentação da distribuição do orçamento para assistência médica. A posição do Sindicato é pela retomada da isonomia. Também foi debatida a implantação dos projetos de equalização do trabalho no ramo e demandas do oficialato e secretários/as de audiências.
Outro aspecto destacado ao longo de toda a reunião foi o déficit de servidores e necessidade de atuação do Tribunal para que seja aprovado o projeto de lei (PL) 8307/2014, que cria de 611 cargos de provimento efetivo, sendo 407 cargos de Analista e 204 cargos de Técnicos Judiciários, além de funções comissionadas. O que implica na necessidade de elevação do orçamento.
A equipe da Corregedoria apontou a importância da aprovação da gestão direta das verbas de custas processuais para liberar orçamento para outras áreas.
O TRT-2 tinha 404 cargos vagos em 30 de abril e não consegue preencher sob a justificativa da falta de disponibilidade orçamentária. De acordo com a equipe da Corregedoria, o Tribunal já está equalizando funções de juízes de primeira instância e estudando o que fará com a realidade de que algumas varas trabalhistas têm 12 ou 13 servidores/as e outras têm apenas oito.
O juiz auxiliar Fábio Rocha reconheceu que às correições têm verificado, além do déficit de pessoal, que o número total de servidores “é bem abaixo do necessário para um atendimento razoável”.
Mas a decisão sobre as mudanças para os servidores é prerrogativa da Presidência.
“A disponibilização de três estagiários por vara, por exemplo, é uma solução paliativa, que pode levar a problema maior lá na frente, por se tornar uma substituição de postos do servidor. Além da necessidade de ensinar o estagiário, que ficará pouco tempo no setor. Ficamos na lógica de fazer mais com menos”, frisou Camila.
Em relação ao tema da quebra da isonomia na distribuição dos recursos orçamentários para a assistência em saúde, é importante que a Corregedoria Regional se posicione favoravelmente à justa demanda de servidores/as e para que o tema seja colocado como prioridade de solução.
“Nenhum juiz é contra [a isonomia]”, frisou a magistrada. A corregedora reconheceu ainda que o correto teria sido equiparar o valor aumentando para todos, e não reduzindo para ninguém. E apontou a importância de uma atuação em comum do Sindicato e associação da magistratura nesse sentido.
“Tem um orçamento que é organizado pelo STF, pela magistratura. E o CSJT tirou toda a autonomia do Regional. E agora temos três regras – do CNJ, do CSJT e do TRT-2, onde nossa normativa ainda é isonômica, não foi alterada a norma, mas ela não é aplicada. Isso vai levar a uma situação insustentável”, ressaltou Camila.
O Sindicato apresentou a demanda de dilatação do prazo de cumprimento de mandados para 90 dias. A Corregedoria informou que está sendo finalizado um procedimento de providências sobre o tema e que o Tribunal vai criar um grupo de trabalho para padronização, avaliação de riscos, cumprimento da legislação. Nesse contexto, a corregedora manifestou que será possível verificar a possibilidade de atendimento à demanda, assegurando o cumprimento da legislação.
“Os oficiais estão sobrecarregados e precisa ser avaliada também a extensão da área geográfica de trabalho, que tem gerado inclusive aumento do custo operacional para cumprimento das diligências. E também seria importante que a Corregedoria recomende que as varas se abstenham de fazer cobranças sobre os mandados ainda dentro do prazo”, apontou Marcos Trombeta.
O Sindicato também apresentou a preocupação com a transferência de oficiais para o setor de Precatórios, sobrecarregando quem ficou no Grupo Auxiliar de Execução e Pesquisa Patrimonial (GAEPP) e no serviço externo, e gerando um desvio das funções inerentes dos oficiais. A corregedora informou que a decisão foi da Presidência a partir de uma exigência de solução para a agilização de Precatórios da correição nacional.
Também foi apresentado que secretários/as de audiência e o Sindicato realizaram um levantamento e construíram um manifesto alertando que as condições de exercício funcional e demandas sem efetivo de pessoal adequado estão adoecendo trabalhadores e trabalhadoras na Justiça do Trabalho.
O segmento reivindica que o Regional: realize um estudo aprofundado da carga de trabalho para uma distribuição mais equitativa das tarefas; assegure equipamentos e mobiliário adequados; garanta solução para as recorrentes falhas dos sistemas PJe e Aud4; e organize funções comissionadas específicas para as atividades inerentes à Secretaria de Audiências.
As demandas serão levadas pelo Sindicato também ao Comitê de Valorização do 1º Grau e à presidência do Tribunal, em audiência já solicitada.