25 de julho: Coletivo de Mulheres convoca participação na Marcha das Mulheres Negras de SP


23/07/2025 - Luciana Araujo
Organização das servidoras da categoria e direção do Sindicato destacam importância da celebração do Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e da líder quilombola Tereza de Benguela para a luta antirracista.

Mulheres da categoria na concentração do 25 de julho de 2023 (Foto: Jesus Carlos).

A próxima sexta-feira (25 de julho) marca o nono ano de realização da Marcha das Mulheres Negras de São Paulo. A atividade, desde 2016, reúne cerca de cinco mil mulheres afrodescendentes em um ato na região central da capital paulista — que mesmo durante a pandemia foi realizada de forma virtual em 2020 e descentralizada em 2021 para evitar aglomerações. A concentração para a manifestação acontece a partir das 18 horas na Praça da República e, após o ato político, leitura do já tradicional manifesto à sociedade brasileira atualizado anualmente e apresentações culturais, as mulheres seguem em passeata até o Theatro Municipal.

E a coordenação do Coletivo de Mulheres do Sintrajud – Mara Helena dos Reis convida a categoria a participar, especialmente as servidoras negras.

A marcha é acompanhada pelo Cortejo Afro Ilú Obá de Min — que há 20 anos abre o carnaval de rua de São Paulo, com cerca de 400 integrantes entre bateria e corpo de dança, e cujo nome significa mãos femininas que tocam tambores para o rei Xangô, num posicionamento feminista sobre a possibilidade de mulheres ocuparem esse lugar.

Antes, ainda na Praça, haverá apresentações da DJ Luana Hansen, que compôs o hino da primeira Marcha de Mulheres Negras a Brasília, em 2015; do coletivo multiartísco Ballroom Casa de Laffond; da dançarina e ativista congolesa Prudence Kalambay; e da companhia de dança afro Bando Macuas.

A Marcha de Mulheres Negras de São Paulo é uma articulação de dezenas de coletivos e instituições que teve início na preparação da primeira manifestação com protagonismo de feminino afrodescendente na capital do país, em 18 de novembro de 2015. À época, durante a passagem das cerca de 50 mil mulheres da manifestação na Esplanada dos Ministérios, mulheres e crianças foram hostilizadas por grupos de extrema direita que acampavam no gramado do Congresso Nacional e chegou a haver disparos para o alto de integrantes do acampamento — que foi impedido de prosseguir em virtude d que foi considerado uma tentativa de atentado contra uma manifestação pacífica.

Na volta ao estado, as participantes da Marcha Nacional decidiram seguir se articulando e, no ano seguinte, colocaram no calendário da capital paulista a manifestação que celebra o Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e o Dia Nacional de Tereza de Benguela. O 25 de julho foi instituído como data de luta feminista antirracista em 1992, no 1º Encontro de Mulheres Negras do continente, realizado na República Dominicana. E Tereza de Benguela foi reconhecida heroína da Pátria em 2014 por ter sido uma das mais longevas lideranças da luta pela extinção do escravismo colonial. Por cerca de 20 anos, como registram anais oficiais do legislativo matogrossense, Tereza comandou o Quilombo do Quariterê, no atual estado do Mato Grosso.

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